Preservação ambiental na Riviera Maya

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Uma das mais de 200 espécies de aves da Riviera Maya

O azul estonteante do Mar do Caribe está de um lado. Do outro, há o verde luxuriante da floresta tropical e do manguezal. Entre uma cor e outra, a Riviera Maya tem um punhado de hotéis de luxo que somente puderam ser erguidos, a partir do início do século XXI, depois de um estudo de impacto ambiental exigido pelo estado mexicano de Quintana Roo. E uma das melhores coisas desta apaixonante região litorânea repleta de atrações turísticas é justamente o cuidado com a preservação da exuberante biodiversidade local.

A Riviera Maya começou a desenvolver sua infraestrutura para receber turistas há pouco mais de dez anos e hoje disputa com Cancún o posto de principal destino de visitantes (a lazer e de negócios) do México. Do ponto de vista turístico, esta área de natureza extraordinária e cultura milenar estende-se por pouco mais de cem quilômetros na Península de Yucatán. É uma faixa de terra plana que vai do Sul de Cancún até Tulum, e passa por Playa del Carmen. Enquanto na cidade mais famosa o turismo gira em torno de compras e festas sem hora para acabar e os hotéis ficam em prédios altos à beira-mar, na Riviera Maya a estadia tende a ser mais contemplativa e mal se nota os hotéis em meio à vegetação. Em Playa del Carmen até há uma filial da animadíssima boate CocoBongo, de Cancún; bares e restaurantes, e recentemente foi inaugurado um shopping center, o Quinta Alegría. Mas com a exceção de Playa, o dia a dia na Riviera Maya gira mais em torno de apreciar o mar, a flora e a fauna bebericando uma margarita ou passeando.

Tartarugas em um dos canais de Mayakoba

O exemplo mais importante de como o turismo de luxo pode ser um aliado da preservação do meio ambiente está no complexo Mayakoba. A 20 minutos do Centro de Playa del Carmen, Mayakoba reúne quatro hotéis (Fairmont, Rosewood, Banyan Tree e Andaz, este o mais recente), todos construídos em torno de cinco diferentes ecossistemas: mangue, floresta tropical, lagunas, canais e dunas costeiras. Os empreendedores dizem que primeiro consultaram biólogos sobre o projeto, quando a terra foi comprada pela empresa espanhola OHL, no fim do século passado. Arquitetos e engenheiros vieram depois. E é assim até hoje. Cada um dos quatro luxuosos empreendimentos tem um biólogo residente que supervisiona as demandas cotidianas e orienta as visitas guiadas.

A Riviera Maya tem o maior conjunto de rios submersos do mundo. Antes da construção dos hotéis de Mayakoba, alguns dos cenotes (como são chamados os poços e rios submersos característicos da região) foram abertos para melhorar o fluxo de água. Em 2011 Mayakoba ganhou um prêmio de sustentabilidade e turismo responsável da Organização Mundial do Turismo (UNWTO, na sigla em inglês). Hoje, a vegetação do manguezal alcança até dez metros de altura em alguns pontos. “Um projeto de luxo que seja um luxo para o meio ambiente” é o slogan da OHL para Mayakoba.

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No Fairmont, uma das piscinas fica em meio à vegetação exuberante

O Fairmont Mayakoba foi o primeiro hotel a ser inaugurado, em 2006, Desde então, o compromisso da rede com a preservação do meio ambiente fez com que seus hotéis em todo o mundo reduzissem em 20% as emissões de dióxido de carbono. É um dos índices mais altos entre os grandes grupos de hotelaria de luxo. Em Mayakoba, o Fairmont se destaca pelas varandas de seus 400 quartos e suítes debruçadas sobre o manguezal. A diversidade de aves emociona. Há colibris, papagaios, pelicanos e cormorões, para citar uns poucos entre as mais de 200 espécies. Iguanas também estão por toda a parte.

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No Rosewood, villas sobre as águas: é preciso pegar um barco para ir ao lobby

O Rosewood Mayakoba, aberto 2007, tem entre suas 130 villas algumas às quais só se chega de barco. No caminho entre a recepção e o quarto é possível ver jacarés e tartarugas. O terceiro hotel do complexo é o belo Banyan Tree, de 2009. Desde meados da década de 1990, Banyan Tree é uma das redes hoteleiras asiáticas mais comprometidas com turismo sustentável. Em Mayakoba, suas 132 villas com piscina ficam em torno do manguezal e das lagunas repletos de pássaros. O restaurante Saffron também está debruçado sobre os canais. E todas as diárias do hotel incluem uma doação compulsória para as comunidades locais. Andaz, do grupo Hyatt, foi inaugurado no final de 2016 e acompanha os vizinhos mais velhos quanto o tema é sustentabilidade.

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Saffron, restaurante do Banyan Tree sobre um dos canais de Mayakoba

Cada hotel em Mayakoba tem seu próprio trecho de praia com serviço de bar, e piscinas. O complexo hoteleiro oferece ainda com campo de golfe e o Pueblito, que simula uma praça de um pequeno povoado mexicano, com igreja, galeria de arte, lojas e restaurante. Mas a atração que faz mais sucesso nos quatro hotéis é um passeio de barco guiado pelo manguezal, gratuito, com duração de uma hora. Durante o percurso, além da vegetação, é possível ver jacarés, tartarugas e aves variadas. Os mesmos canais ligam os  hotéis, e dá para ir de barco almoçar em um ou jantar em outro.

Outra propriedade administrada pelo grupo americano Hyatt foi aberta em meados de 2015, um pouco mais ao Sul. Com 314 quartos, o Grand Hyatt Playa del Carmen fica em frente a um trecho de praia com 150 metros de extensão e perto de La Quinta, a principal rua comercial da cidade. Aqui também foi feito um esforço para manter a vegetação local, e a sensação que se tem no lindo spa, por exemplo, inspirado nos cenotes, é a de estar no meio de uma floresta. São 8.500 metros quadrados de área verde preservada, e o hotel foi construído em volta dos mangues, que ocupam quase 30 mil metros quadrados na região.

Entre Maykoba e Playa del Carmen, o Grand Velas Riviera Maya, inaugurado em 2008 e a cinco minutos do Centro de Playa, também reúne três hotéis. Dois são de frente para o mar, em uma faixa de areia de 300 metros de extensão. O terceiro, Zen Grand, valoriza a vegetação exuberante e fica escondido no meio da floresta. A bonita piscina é cercada de verde. Os três hotéis estão em uma área de 32 hectares de mangue, floresta e cenotes. Como o Grand Hyatt, o Grand Velas também foi projetado para valorizar o cenário no qual está instalado. No Zen Grand, por exemplo, todas as 239 suítes têm terraços, varandas ou pátios com vista para a floresta de Yucatán.

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Amanhecer no trecho de praia caribenha em frente ao Grand Velas

O hotel oferece aos hóspedes tours ecológicos. O passeio, gratuito, leva os visitantes ao manguezal e à floresta, onde foram plantadas mais de 15 mil árvores para proteger as espécies nativas. Na visita à praia é apresentado o projeto de recifes artificiais ao longo da costa e de dunas costeiras. O objetivo é evitar a erosão, e a faixa de areia está mais larga nos últimos quatro anos. Além de preservar a praia, os recifes criaram condições para a presença de peixes, pequenos polvos e lagostas. A costa da Riviera Maya tem a segunda maior barreira de corais do mundo. O melhor ponto para mergulho é a ilha de Cozumel, a 45 minutos de barco de Playa. São mais de 60 espécies de corais e 500 de peixes.

O Nizuc Resort & Spa, um lindíssimo hotel inaugurado em 2013 em Punta Nizuc, do lado oposto de Playa del Carmen, no limite Norte da Riviera Maya, aposta tanto no fascínio que o verde local exerce nos visitantes que tem uma categoria de quartos nos quais você se sente quase em uma casa na árvore. Não são simplesmente apartamentos com “vista para o jardim”, o que geralmente significa os quartos menos interessantes dos resorts de praia. São suítes com mais de 130 metros quadrados e piscinas privativas cercadas de verde. Quem escolhe em um deles tem a sensação de estar em meio a uma floresta com a praia logo ao lado.

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Uma das piscinas do Nizuc repleta de verde

Desde antes mesmo de sua abertura, o Nizuc segue um programa para recuperar as áreas de mangue e integrá-las ao hotel. As aulas de stand up paddle e os passeios de caiaque, por exemplo, são no trecho da praia onde começa o manguezal. Mas nos dias de chuva dá até para esquecer que o Mar do Caribe está logo ali. A vegetação fica ainda mais exuberante. E chove muito na Riviera Maya no verão e no outono (de junho a outubro), que também é a época de furacões. Este é um dos pontos fracos da região, ainda que o último furacão devastador tenha sido o Wilma, em 2005, quando a faixa de areia em Cancún foi destruída.

Outro fenômeno natural que atrapalha a beleza local são os sargaços. As algas escuras são frequentes em praias caribenhas, e nesta temporada apareceram em grande volume. Hotéis de luxo têm funcionários para manter as praias limpas, mas é impressionante a quantidade de algas que amanhece a cada dia nas areias brancas. Com vegetação, calor constante e chuva, mosquitos são onipresentes. Alguns hotéis se preocupam em oferecer repelentes biodegradáveis que podem ser usados inclusive em mergulhos nos cenotes.

No verão no Hemisfério Norte, a maioria dos turistas vem da Europa. No inverno, é a vez de americanos e canadenses. Mesmo com furacões, algas e mosquitos, os números do turismo na Riviera Maya são de causar inveja ao Brasil. Dados do relatório anual da Organização Mundial do Turismo (UNWTO, na sigla em inglês), relativos a 2017,  mostram o México entre os dez países mais visitados do mundo, em sétimo lugar, com 39,3 milhões de chegadas internacionais.

Versão atualizada de texto publicado no Projeto #Colabora. O original, com outras fotos dos hotéis e da fauna local, você pode ver clicando aqui.

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