Sol, diversão e compras em Cancún

Piscinas, bar molhado e praia em um dos muitos hotéis de Cancún
Piscinas, bar molhado e praia em um dos hotéis renovados de Cancún

Toda vez que ouvia alguém comentar aquela profecia maia que previa o fim de uma era em 21 de dezembro de 2012, sempre me lembrava de um antigo samba de Assis Valente gravado por Carmen Miranda em 1938, “E o mundo não se acabou”. Mas os versos de Assis Valente combinam com a Cancún de hoje, com seu mar caribenho de um azul-turquesa indecente e noites que não têm hora para terminar. Cancún é também um lugar de família, que passou de vila de pescadores nos anos 1970 a balneário de excelente infraestrutura para o turismo, com grandes hotéis de alto padrão novos ou  renovados depois do furacão Wilma, shoppings e bons restaurantes.

Lagoa Nichupté, lar de dois mil crocodilos
Lagoa Nichupté, lar de dois mil crocodilos

Cancún desenvolveu-se planejadamente ao longo de uma faixa de terra de 23 quilômetros entre o azul-turquesa do Mar do Caribe e o azul-esverdeado da Lagoa Nichupté que, dizem, abriga mais de dois mil crocodilos — pela desenvoltura com que o pessoal anda de jet-ski , o número de répteis deve estar mal contado. Agora imagine outro número, o 7. É esse o formato da faixa de terra. O centro da cidade propriamente dito, na ponta noroeste, tem um mercado de artesanato, o 28, com lojas de suvenires, restaurantes de comidas caseiras e pouco mais que justifique a visita. A partir dali, rumo ao sul do 7, há o píer para Islas Mujeres (um dos muitos passeios possíveis na região) e um resort ao lado do outro, com um shopping aqui e ali, na imensa área conhecida como Zona Hotelera, que chega até perto do aeroporto.

Trecho de praia em frente a um dos hotéis
Trecho de praia em frente a um dos hotéis

São muitas as grandes bandeiras de luxo que se espalham entre o mar e o asfalto impecável do Boulevard Kukulcán (ou Serpente Emplumada, na língua maia). Entre os hotéis, há os americanos Hyatt (um dos pioneiros, ao norte), Marriott e Westin e os espanhóis Meliá e Barceló. Todos os empreendimentos da região foram inteiramente renovados depois do devastador furacão Wilma, que em outubro de 2005 acabou com a areia da praia e causou imensos prejuízos à rede hoteleira e ao turismo na região.

Piscinas do Iberostar Cancún
Piscinas do Iberostar Cancún

As estrelas de Hollywood ficam no Ritz-Carlton. Com 365 apartamentos, o hotel tem restaurantes de alta gastronomia que podem ser frequentados também por não-hóspedes. Em 2012 foi inaugurado o Iberostar Cancún, onde funcionava o Hilton — o prédio lembra os degraus de uma pirâmide e é um dos ícones do lugar, com 426 quartos, todos com vista para o mar; cinco restaurantes e um campo de golfe com 18 buracos. Boa parte dos resorts é all-inclusive, o que é um conforto, principalmente para quem viaja com crianças pequenas, mas nem sempre um benefício, porque certamente você vai querer sair do hotel um dia ou vários dias para conhecer uma ruína maia, visitar um parque aquático, quem sabe até beijar um golfinho. Ou simplesmente jantar em um lugar diferente.

Cancún / Foto de Carla LencastreDurante o dia, quem não programar um passeio não tem muito o que fazer em Cancún além de explorar os quilômetros de areias brancas e águas azuis. A água, porém, na maior parte da praia, não é calma. O programa é dar uma caminhada — ou, para os mais animados, e são muitos, correr na areia — escolher uma espreguiçadeira no seu resort, pedir uma bebida e ficar admirando aquele azul inacreditável, ainda que frequentemente emoldurado por bandeiras vermelhas. Em alguns trechos até é possível dar um mergulho, mas não muito mais do que isso. Na hora de se refrescar, o ideal é escolher uma das piscinas do hotel.

Quando você cansar de alternar sol, sombra, água fresca e bebida gelada, é hora de pensar em um passeio para o dia seguinte. Quem gosta de dirigir, pode alugar um carro para ir aos parques aquáticos de Xcaret e Xel-Há. A estrada é boa e bem sinalizada. Mas nada é muito perto de Cancún. Conte com pelo menos duas horas para ir e voltar com calma. As ruínas maias ficam ainda mais distantes, e o ideal é fazer um passeio organizado (que pode combinar um parque e uma ruína). Chichén Itzá, a mais importante, está a cerca de três horas de distância, mas, se você não estiver dirigindo, dá pra ir e voltar no mesmo dia. É possível contratar tour privados, em carros que levam até quatro pessoas.

Cancún / Foto de Carla LencastreCancún / Foto de Carla LencastreAlém dos passeios, a outra opção fora do hotel é ir fazer compras. Um dos shoppings mais agradáveis é o La Isla (Km 12,5), à beira da laguna e ao ar livre, com um aquário, cinemas e quase 200 lojas, além de diversas opções de restaurantes de culinária internacional, cafés, pizzarias e taquerías. Para grifes em profusão, o endereço é o Kukulcán Plaza (Km 13) e seu anexo Luxury Avenue, não muito distante do La Isla. A boate pioneira, e até hoje a mais famosa, é a Coco Bongo, com shows de covers e acrobatas regados a muita tequila. Quase ao lado ficam Carlos’ n Charlie’s e Hooters, entre outras opções menos cotadas. Em todas, dá para se divertir como se o mundo acabasse amanhã.

Quando ir: Cancún tem um clima ameno com temperaturas médias entre 25ºC e 30ºC o ano todo. A temporada de furacões no Mar do Caribe vai de junho a novembro, e a maior probabilidade é nos meses de setembro e outubro. A alta temporada é em julho (verão no Hemisfério Norte) e nos feriados do final do ano.

(Versão atualizada de texto originalmente publicado na revista Boa Viagem, do jornal O Globo.)

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