À sombra do vulcão Etna em Taormina, na Sicília

Taormina / Foto de Carla LencastreTem alguma coisa borbulhando na Sicília, e não é somente lava. A definição é de uma edição inglesa da revista “Condé Nast Traveller” e reflete o momento pelo qual vem passando essa ilha ao sul da Itália. Durante décadas associada à pobreza e à violência da Máfia, a Sicília está mudada, com novidades culturais e gastronômicas.

Taormina / Foto de Carla LencastreA pequena e bela Taormina, encravada em uma colina de pedra 200 metros acima do nível do mar e emoldurada pelo Monte Etna, é uma excelente base para explorar parte da maior ilha do Mediterrâneo. Faça como os gregos, que sabiam das coisas, e marque o lugar, na costa leste da Sicília, em seu mapa de desejos. Na hora de erguer um teatro em Taormina, eles escolheram uma localização privilegiada no alto da colina. Com uma linda e inesquecível vista para o mar azul, é sem dúvida um dos mais belos cenários greco-romanos da Europa, que ainda hoje recebe espetáculos. Mesmo sem nada em cartaz, visitar o anfiteatro e admirar a paisagem de cartão-postal é o primeiro programa que todo mundo faz em Taormina. Dependendo de onde você estiver hospedado, já terá admirado a vista antes. Vários hotéis fizeram como os gregos, e depois os romanos, e se instalaram no alto da colina.

Taormina / Foto de Carla Lencastre

Taormina / Foto de Carla LencastreNa primavera, os turistas começam a chegar a Taormina em maior número. Mas a Sicília ainda não é tão óbvia quanto a Toscana, e é possível desfrutar de seu luxo sem ostentação mesmo na alta temporada (exceto em agosto, quando a ilha fica lotada), com direito a um povo mais afável que o do continente, a praias e a passeios de barco pelos mares Mediterrâneo, Jônico e Tirreno, os três que cercam a Sicília. Além do turismo, a agricultura e a pesca movem a economia local.

Taormina / Foto de Carla LencastreA trilogia “O poderoso chefão”, de Francis Ford Coppola é tema de lojinhas de memorabilia nas charmosíssimas ruas estreitas calçadas de pedra que sobem e descem pela colina a partir do Corso Umberto I, a via principal, repleta de prédios históricos, galerias de arte, lojas, algumas de grife, e restaurantes. À noite o ambiente é dos mais românticos, tanto nas ruas quanto nos restaurantes chiques e simpáticos.

Taormina / Foto de Carla LencastreTaormina / Foto de Carla Lencastre

As muitas sorveterias e lojas de produtos gastronômicos são imperdíveis, cada uma mais linda do que a outra. Os sorvetes locais são famosos, principalmente os de limão siciliano e pistache. Experimentei os dois, e os sabores delicados persistem na memória. Além do limão e do pistache, a Sicília também se orgulha de suas laranjas, amêndoas e avelãs. Para quem acha que Nutella é bom, que tal crema di mandorla?

Taormina / Foto de Carla LencastreNa cidade, dois hotéis tradicionais se destacam: o San Domenico Palace, associado a The Leading Hotels of the World, e o Metropole Hotel. O San Domenico fica em um antigo mosteiro do século XIV, na encosta da colina, e oferece vistas comparáveis com as que se tem anfiteatro grego. Pelos seus jardins perfumados passearam artistas como o compositor alemão Richard Wagner e o escritor francês Guy de Maupassant. Um de seus restaurantes, o Principe Cerami, tem duas estrelas Michelin. Já o Metropole está em pleno Corso Umberto I e tem uma piscina de borda infinita.

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A rede Belmond, a mesma do Copacabana Palace, tem não apenas um, mas dois hotéis sicilianos, ambos em Taormina. Uma das propriedades do grupo é o Villa Sant’Andrea, à beira-mar, fora do Centro. A outra fica no caminho para o anfiteatro e compartilha com ele as vistas para o mar e o Etna. É o luxuoso Grand Hotel Timeo, instalado em uma construção do século XIX.

Taormina / Foto de Carla LencastreA cidade portuária de Messina está a apenas alguns quilômetros de Taormina, e faz parte de roteiros de cruzeiros pelo Mar Mediterrâneo. Para chegar a Taormina de avião pode-se pegar um voo de três horas e meia de duração para Catânia, a partir de Milão, e percorrer mais uns 40 minutos de estrada. Quem vai no inverno desfruta de temperaturas amenas durante o dia (em torno de 15 graus Celsius), de ruas tranquilas e serviços exclusivos na baixa temporada dos hotéis — mas muitos restaurantes estão fechados. Os mais aventureiros podem esquiar no Monte Etna, com 3.340 metros de altitude e o maior vulcão ativo — e fumegante — da Europa.

(Versão atualizada de texto originalmente publicado na revista Oh!, do jornal O Globo.)

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