Bolgheri, o vilarejo dos vinhos supertoscanos

Bolgheri, Toscana / Foto de Carla Lencastre
Ciprestes nos arredores de Bolgheri
Enoteca em Bolgheri
Café em Bolgheri

Vilarejo medieval com tradição literária, orgulhoso do prêmio Nobel de Literatura de 1906 concedido ao poeta italiano Giosuè Carducci, que passou a adolescência na cidade, Bolgheri começou a ver sua história mudar na década de 1970 com o sucesso do primeiro vinho produzido com uva francesa na Itália, o Sassicaia. Carducci batiza a linda estrada margeada por ciprestes que leva às muralhas de Bolgheri (e que inspirou um de seus poemas mais famosos, “San Guido”), mas quando lá se chega é o vinho que hoje está pelas ruas, todas batizadas com nome de pessoas como Teresa, Giulia, Ugo. Até as caixas de madeiras que protegem as garrafas do Sassicaia são usadas como cadeiras em um café, e as muitas enotecas atraem novos turistas ao vilarejo.

Bolgheri, Toscana / Foto de Carla Lencastre
Sassicaia na Tenuta San Guido

Produzido com uvas francesas cabernet (85% sauvignon, 15% franc) na Tenuta San Guido, que faz também o Guidalberto (bem mais recente, com cabernet sauvignon e merlot), o Sassicaia passa dois anos em barris de carvalho, e ainda tem potencial de guarda de mais uns oito anos, como os bons vinhos franceses de Bordeaux. A produção é de cerca de 200 mil garrafas por ano, que custam caro. Na sede da vinícola, na área da Strada del Vino conhecida como Costa dos Etruscos, mesmo os vinhos mais jovens saem por mais de 100 euros. Mas é  o mais importante da região, até porque foi o primeiro cabernet italiano.

Vinícola Petra
Vinícola Petra

Uma vinícola da Strada del Vino perto dali com boa infraestrutura para visitantes, arquitetura moderna de impacto e um lindo campo repleto de vinhedos e oliveiras é a Petra, nos arredores de Suvereto, outra cidadezinha medieval da região, com apenas três mil habitantes. O projeto da cave da Petra, no Val di Cornia, é assinado pelo famoso arquiteto suíço Mario Botta (autor do Museu de Arte Moderna de São Francisco, o SFMoMA), inclui áreas escavadas no meio de uma colina, para maior controle de temperatura e umidade, e foi descrito pelo jornal “The New York Times” como um “grande templo para uma grande civilização extinta (…) com a atmosfera de uma catedral”.

Bolgheri, Toscana / Foto de Carla Lencastre

Bolgheri, Toscana / Foto de Carla Lencastre

Vinícola Petra, projeto do arquiteto suíço Mario Botta

Dos vinhedos que se estendem até o litoral, em dias claros se vê a ilha de Elba, próxima do litoral italiano, e a francesa Córsega, um pouco mais adiante. Como na Tenuta San Guido, na Petra cultivam-se uvas francesas cabernet sauvignon e merlot, e também a italiana sangiovese.

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Vinhedos da Petra

Antes ou depois da visita à Petra, aproveite para dar uma volta por Suvereto, uma graça de vilarejo onde a Via della Madonna faz esquina com a Via Antonio Gramsci. Há lojinhas, mercados e restaurantes simpáticos. Um bom lugar para comer é a charmosa e moderninha Osteria l’Ciocio.

Suvereto, Toscana / Foto de Carla Lencastre

Suvereto, Toscana / Foto de Carla Lencastre

Pelas ruas de Suvereto

(Versão atualizada de texto originalmente publicado na revista Boa Viagem, do jornal O Globo.)

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