Torre de Pisa inclina, mas não cai

Pisa, Toscana / Foto de Carla LencastreE não é que a Torre de Pisa parou de cair? Um relatório divulgado em 2013 pelo “Grupo de acompanhamento da Torre” diz que a construção recuperou 2,5cm de “verticalidade” na última década. O grupo acompanha a torre pendente desde 2001, quando ela foi reaberta à visitação, depois de uma série de trabalhos estruturais, feito ao longo dos anos 1990 (antes das obras, a inclinação era de um milímetro ao ano). O relatório, apresentado pelo jornal “Il Tirreno”, de Livorno, considera a torre segura para os próximos dois ou três séculos. Mas ela vai continuar inclinada. E divertindo muitos dos dois milhões de visitantes por ano que posam para fotos como se a estivessem escorando. Ou então dando um peteleco para derrubá-la de vez.

Pisa, Toscana / Foto de Carla LencastrePisa, Toscana / Foto de Carla LencastrePisa, Toscana / Foto de Carla Lencastre

Em plena Toscana, a medieval Pisa enfrenta uma concorrência turística fortíssima, mas ainda assim justifica uma escapada de um dia. Ou, dependendo dos seus outros interesses na região, também pode ser usada como base para explorar os arredores. Volterra, a cidade dos estruscos (e também dos vampiros da saga de livros e filmes “Crepúsculo”); San Miniato, lugar de trufas brancas toscanas, e a encantadora Lucca e suas muralhas estão bem perto, por exemplo.

Pisa, Toscana / Foto de Carla LencastreA torre de mármore hoje imaculadamente branco, completada em meados do século XIV (sua construção começara dois séculos antes), é o ponto alto e torto de uma visita a Pisa. Com 56 metros de altura, ela se destaca em meio às telhas vermelhas dos prédios mais baixos. Das suas 180 colunas, apenas 33 são de mármore original, de San Giuliano, nos arredores da cidade. Nas outras o mármore foi trocado pelo de Carrara, ainda na Toscana, mais ao norte, no processo de restauração que começou no ano 2000, com recursos da União Europeia. Mesmo que não suba até o topo, chegue perto para admirar o incrível erro arquitetônico e ver a inclinação das fundações a partir do solo.

Pisa, Toscana / Foto de Carla LencastrePisa, Toscana / Foto de Carla Lencastre

A torre fica ao lado de um impressionante conjunto arquitetônico dos séculos XII e XIII, quando Pisa era uma importante base naval e seu porto comercial rivalizava com Gênova e Veneza. No Campo dei Miracoli, além da torre, estão ainda o Duomo (do século XI) e o Batistério, onde Galileu Galilei foi batizado (hoje ele dá nome ao aeroporto da cidade). Nos quentes meses de verão, visitantes e moradores aproveitam o gramado em torno da torre para pegar sol. A rua principal de acesso, a Via Santa Maria, é fechada para carros, e muita gente também se espalha por ali.

Pisa, Toscana / Foto de Carla LencastrePisa, Toscana / Foto de Carla LencastrePisa, Toscana / Foto de Carla Lencastre

Saindo da torre pela Via Santa Maria, que vai até o Rio Arno, chega-se ao centro histórico de Pisa, importante cidade universitária hoje com quase 88 mil habitantes. Como em tantas outras cidades italianas, a área é repleta de ruelas com simpáticas construções baixas em tons de terra que abrigam restaurantes, bares, cafés, enotecas, sorveterias. Vale fazer um desvio da via principal para ver a Piazza dei Cavalieri.

Pisa, Toscana / Foto de Carla LencastreO centro comercial fica em torno do Corso Italia, do outro lado do Rio Arno, que corta a cidade. Andar pelo Lungarno, como são chamadas as margens do rio, apreciando os palácios, é um lindo passeio, que pode levar até a pequenina e linda Igreja de Santa Maria da Espina, na margem do rio. Reserve pelo menos um par de horas para caminhar fora da área lotada de turistas do Campo dos Milagres e ter uma ideia de como realmente é a cidade.

SERVIÇO

Campo dei Miracoli: O Duomo, o Batistério e a Torre de Pisa podem ser visitados diariamente. As filas são constantes, principalmente nos fins de semana e no verão. Para a torre, o número de ingressos é limitado. Se fizer questão de subir (são quase 300 degraus inclinados e escorregadios), compre o ingresso antes pela internet, com hora marcada.

(Versão atualizada de texto originalmente publicado na revista Boa Viagem, do jornal O Globo.)

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