Onze restaurantes e oito chefs na divertida Las Vegas

O City Center e o Aria Resort & Casino, na Strip
O shopping de luxo Crystals e o Aria Resort & Casino, na Strip

Faz algum tempo que Las Vegas tornou-se um destino independente de seus cassinos. Eles continuam lá, imensos, porém a cidade mais kitsch dos Estados Unidos hoje oferece dezenas de bons restaurantes, muitos estrelados pelo Guia Michelin; centenas de opções de compras e atrações variadas, incluindo oito espetáculos do Cirque du Soleil (meu favorito é “The Beatles Love”, em cartaz no Mirage). Há quem ache uma cafonice só. Eu me divirto, e já estive em Vegas várias vezes, a trabalho e de férias. É um lugar que combina bem com roteiros de carro pela Califórnia e pelo Arizona, e o aeroporto recebe voos nacionais e internacionais. Mas não há rota direta do Brasil.

Atualmente há tanto o que fazer em Las Vegas, que você só joga se quiser. E bufês pantagruélicos, que eram praticamente a única opção gastronômica, agora são mais um programa turístico. Vá a um deles, e no restante do tempo aproveite para curtir o cardápio de chefs famosos sem precisar fazer reserva com semanas de antecedência e, às vezes, gastando menos do que em casas equivalentes em Nova York, por exemplo.

Escultura de Henry Moore na entrada do Aria
Escultura de Henry Moore na entrada do Aria

Na categoria bufê, minha sugestão é o brunch de fim de semana do Aria Resort & Casino (US$ 29,99 por pessoa, sem bebidas), onde se destaca a culinária asiática. A listinha abaixo, apenas uma pequena amostra da exuberante oferta gastronômica da cidade, reúne meus oito chefs favoritos em Vegas, quase todos testados mais de uma vez, alguns com estrelas, outros sem, e em diferentes faixas de preço. De um modo geral, as cartas de vinhos destes restaurantes têm ótimas opções de pequenos produtores dos estados da Califórnia, do Oregon e de Washington. A maioria dos restaurantes estrelados não abre para almoço, mas alguns têm menus com preços mais acessíveis para refeições no fim da tarde, que podem valer por um almoço tardio. Os chefs estão em ordem mais ou menos geográfica, do Sul para o Norte da Strip, como é conhecido o Las Vegas Boulevard, a principal avenida da cidade.

  1. Joël Robuchon: L’Atelier e Joël Robuchon Restaurant, MGM Grand. O L’Atelier de Joël Robuchon em Las Vegas não fica nada a dever aos de Paris e Tóquio. A diferença é que os dois L’Atelier de Paris e o de Tóquio têm duas estrelas Michelin, e o de Las Vegas tem apenas uma (e o de Londres também). A decoração em vermelho e preto, com um balcão em granito em torno da cozinha aberta, é muito parecida, assim como o cardápio e a qualidade final. Em uma das vezes que jantei lá, optei pelo clássico hambúrguer com foie gras. Em outra, fiquei com um peixe acompanhado pelo famoso purê de batatas do chef. Foram refeições perfeitas. O L’Atelier está a apenas alguns passos das máquinas caça-níqueis do MGM Grand, um dos maiores cassinos da cidade. E ao lado do elegante restaurante que leva o nome de Robuchon, a única casa três estrelas Michelin em Las Vegas. Decorado como um salão da Belle Epoque por Pierre Yves-Rochon, com lustre de cristal, estofados de veludo roxo e vista para um jardim interno, o Joël Robuchon Restaurant é a pedida para quem estiver com um orçamento generoso.

    Borboletas na entrada do Twist, o restaurante de Pierre Gagnaire no Mandarin Oriental
    Borboletas na entrada do Twist, o restaurante de Pierre Gagnaire no MO
  2. Las Vegas / Foto de Carla LencastreLas Vegas / Foto de Carla LencastreLas Vegas / Foto de Carla LencastrePierre Gagnaire: Twist, Mandarin Oriental. Pierre Gagnaire é outro chef francês estrelado que levou sua cozinha para Las Vegas. Com três estrelas Michelin no restaurante que leva seu nome em Paris, Gagnaire abriu sua casa no Mandarin Oriental. Inaugurado em 2009, o MO Las Vegas é um dos hotéis mais novos da cidade, e sequer tem cassino. O belo Twist dá um toque moderno à cozinha francesa e é o único restaurante de Gagnaire nos Estados Unidos. Pequeno para os padrões da cidade, o Twist parece uma caixa de joias de tão bonito. Localizado no 23º andar, com janelas envidraçadas do teto ao chão, oferece bons panoramas da Strip. A lindíssima adega, também toda envidraçada, fica no mezanino, e pode ser vista do salão, como mostra a foto acima, entre o champanhe e o pinot noir em rótulo do próprio hotel.
  3. Abobrinhas no Milos
    Abobrinhas no Milos

    Costas Spiliadis: Estiatorio Milos, Cosmopolitan. O restaurante grego do chef Costas Spiliadis foi a maior surpresa da minha vez passada em Las Vegas. Aberto em 2010 no Cosmopolitan, tem parte das mesas em uma varanda envidraçada com vista para a Strip. No cardápio do Milos estão finíssimas fatias de polvo do Mediterrâneo grelhado e de abobrinhas e berinjelas fritas que já faziam sucesso em Nova York e Montreal. Uma banca de peixes e frutos do mar frescos faz esquecer que estamos em pleno deserto. Na carta de vinhos, há bons exemplares da Grécia continental.

    Jaleo, casa de tapas e paellas no Cosmopolitan
    Jaleo, casa de tapas e paellas no Cosmopolitan
  4. Las Vegas / Foto de Carla LencastreLas Vegas / Foto de Carla LencastreIMG_2597aJosé Andrés: Jaleo, Cosmopolitan. O chef hispano-americano José Andrés, um dos primeiros a servir tapas nos Estados Unidos, tem mais de 20 restaurantes em cidades como Miami, Los Angeles e Washington DC. A primeira vez que experimentei sua criativa cozinha foi no delicioso Mi Casa, em Dorado Beach, um lindo hotel em Porto Rico com a bandeira Ritz-Carlton Reserve. Mi Casa compartilha com Jaleo alguns itens da decoração, como uma cabeça de touro estilizada no salão, e do cardápio, com destaque para o presunto ibérico de bellota e para os croquetes servidos em um calçado em fibra de vidro. Entre as várias opções de tapas no Jaleo, há desde pão com tomate fresco até as famosas azeitonas esferificadas (foto acima), líquidas, criadas por Ferrán Adria. As paellas do Jaleo também fazem sucesso, mas as tapas eram tantas, e tão boas, que não consegui chegar ao prato principal. A paella valenciana da foto acima era da mesa vizinha. E a imagem à direita é de uma das muitas cortinas de cristal do Cosmopolitan.
    As fontes do Bellagio vistas do Picasso
    As fontes do Bellagio vistas do Picasso

    Tapas, de Julian Serrano
    Tapas, casa de Serrano no Aria
  5. Julian Serrano: Picasso, Bellagio, e Tapas, Aria. Se restaurante clássico e Las Vegas coubessem na mesma frase, ela seria usada para definir o Picasso, no Bellagio, do chef espanhol Julian Serrano. Foi uma das primeiras casas gourmets de Vegas, e até hoje o luxuoso Bellagio Hotel and Casino é um polo de restaurantes elegantes. Há quatro meses, Serrano abriu ali seu primeiro restaurante italiano, Lago, que já está na minha lista para a próxima ida a Vegas. Além do espetacular Picasso, que oferece cozinha mediterrânea com duas estrelas Michelin, Serrano tem também um delicioso restaurante mais informal, Tapas, no lobby do Aria Resort & Casino.

No Picasso, obras do artista espanhol decoram o restaurante com vista para as fontes dançantes do Bellagio. Em uma entrevista que fiz com o Serrano, ele me contou que ficou preocupado quando recebeu o convite para criar um restaurante em torno de pinturas, gravuras e cerâmicas de Picasso. “Morava em São Francisco, e Las Vegas não era a minha cidade preferida. Não sabia como usar as pinturas, elas poderiam chamar mais atenção do que a minha comida e os vinhos. Mas o restaurante ficou lindo e hoje Las Vegas é reconhecida como um destino gourmet”, constata o simpático espanhol que ama futebol e põe Zico na sua lista de clientes famosos, ao lado de celebridades de Hollywood. Os Picassos do Picasso são fascinantes, mas não chegam a ofuscar a cozinha de Serrano, que tem pratos inesquecíveis como caranguejo com purê de ervilha.

Las Vegas / Foto de Carla LencastreLas Vegas / Foto de Carla LencastreLas Vegas / Foto de Carla Lencastre

6. Michael Mina, Bellagio. O luxuoso Bellagio foi um dos principais responsáveis pela mudança do perfil gastronômico da Las Vegas, lá pela virada do século. Além do Picasso e do novíssimo Lago, outro restaurante gourmet que se destaca é o que leva o nome do chef Michael Mina, com uma estrela Michelin, que começou sua carreira em São Francisco, no início da década de 1990. Na sua elegante casa com influências francesa e asiática, Mina sugere para iniciar a noite um delicioso e levíssimo bolinho de batata com creme fresco, salmão defumado e um tipo de caviar americano (com preço bem menos extravagante que o osetra, que também está no cardápio), acompanhado de champanhe Veuve Clicquot ou da vodca polonesa Belvedere supergelada. Mina hoje comanda um império gastronômico, com 25 restaurantes em várias cidades dos Estados Unidos, da Costa Leste à Costa Oeste, incluindo quatro em Las Vegas. Sua casa mais recente é a Bardot Brasserie, aberta em janeiro no Aria Resort & Casino. Desde então, o restaurante francês do chef egípcio-americano só tem recebido elogios. É outro lugar que já está na minha lista para a próxima visita. Ah, as fotos bucólicas acima são do lindo jardim interno do Bellagio pelo qual se passa para chegar ao Michael Mina.

Las Vegas / Foto de Carla LencastreLas Vegas / Foto de Carla LencastreLas Vegas / Foto de Carla Lencastre

Las Vegas / Foto de Carla LencastreLas Vegas / Foto de Carla Lencastre7. Gordon Ramsay: Steak, Paris Las Vegas, e Pub and Grill, Caesars Palace. O chef britânico tem três restaurantes em Las Vegas. Aberto em 2012, o Steak, no Paris, ocupa dois andares e, como o nome indica, valoriza as carnes. Foi considerado pela revista “Forbes” como uma das cinco melhores steakhouses da cidade, o que não é pouco em um lugar com muitas casas de carne. O rosbife Wellington com purê de batatas e legumes justifica a fama. No Pub and Grill, no Caesars Palace, o ambiente é mais informal, como um gastropub, e o menu tem uns mini hambúrgueres impecáveis e grande oferta de cervejas. É um bom lugar para uma refeição rápida e gostosa entre as compras no Forum Shops. O chef tem ainda o BurGR, no Planet Hollywood, com preços mais acessíveis. Mas acho que quando der vontade de comer hambúrguer eu vou mesmo é novo Shake Shack, a primeira filial da hamburgueria de Nova York na Costa Oeste, aberta no finzinho do ano passado no New York New York Hotel.

Las Vegas / Foto de Carla LencastreIMG_2565aLas Vegas / Foto de Carla Lencastre8. Thomas Keller: Bouchon, The Venetian. Thomas Keller passa boa parte do tempo cuidando de seus dois restaurantes com três estrelas Michelin, French Laundry, a primeira casa, inaugurada em 1994 em Yountville, na Califórnia, e Per Se, no Time Warner Center, em Nova York. Em Las Vegas, ele abriu uma filial do Bouchon no Venetian (fotos acima). O original, de 1998, também fica na pequena Yountville, no Napa Valley, ao norte de São Francisco, e tem uma estrela Michelin. O de Las Vegas é tão gostoso quanto, com destaque para as ostras, os frutos do mar e as famosas salsichas brancas com purê de batata e ameixas. Até a decoração é mesma, lembrando uma brasserie parisiense. Eu fui jantar, mas o brunch de fim de semana também é muito recomendado.

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