Baladas no mar salgado da ilha de Malta

Malta / Foto de Carla LencastreValetta, a capital da República de Malta, pode ser encontrada em roteiros pelo Mar Mediterrâneo de diversas companhias marítimas. É uma escala que justifica um cruzeiro. Ou uma viagem maior. No meio do Mediterrâneo, na encruzilhada da História, o arquipélago é playground de milionários e atrai novos visitantes com praias, História, boa gastronomia e ótimos hotéis. O cenário é uma beleza, e a arquitetura, magnífica. E, em 2018, Valetta será capital europeia da cultura.

 Malta / Foto de Carla LencastreHá mais nessa ilha mágica do Mediterrâneo do que belas vistas. Com uma arquitetura barroca e renascentista espetacular e cercado de águas azuis por todos os lados, o arquipélago estrategicamente localizado no meio do Mediterrâneo, ao sul da Itália, perto da Sicília, chamou a atenção de viajantes não europeus ávidos por novidades na primavera europeia de 2007. Foi o lugar que o então recém-eleito presidente da França, Nicolas Sarkozy, escolheu para relaxar depois da campanha eleitoral. Sarkozy passou boa parte do tempo no iate de um amigo. E barco é o que não falta em Malta, dos pequenos e coloridos de pescadores a iates como o do amigo do ex-presidente francês, passando por lanchas e veleiros de pés variados.

Malta / Foto de Carla LencastreDe barco navega-se entre as três ilhas do arquipélago, Malta, Gozo e Comino; mergulha-se nas águas mornas; exploram-se cavernas. Não por acaso, Corto Maltese, personagem célebre do quadrinista italiano Hugo Pratt (1927-1995) e protagonista da graphic novel “A balada do mar salgado” (1967), entre outras histórias, era um marinheiro. Hoje, Malta é palco para ver iates passar.

Malta / Foto de Carla LencastreCom apenas 316 quilômetros quadrados, é uma das áreas mais densamente povoadas da Europa, com 400 mil habitantes, a maioria na capital, Valletta. É possível atravessar a ilha de ponta a ponta em cerca de uma hora, mas reserve pelo menos quatro dias, se possível uma semana, para aproveitar melhor.

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Valletta é considerada o maior e mais bem protegido porto do Mediterrâneo. Patrimônio da Humanidade pela Unesco, séculos de História bem preservados se misturam ao jeito descontraído das ruas, ao sabor da brisa do mar, ao som de um idioma incompreensível, mas com algumas palavras familiares. A colonização britânica fez com que o inglês se tornasse idioma oficial, junto com o maltês. E a proximidade com a Itália garante que muitos também falem italiano. Na gastronomia, a influência dos italianos é mais forte do que a dos britânicos. Frutos do mar, claro, estão em todas as mesas.

Malta / Foto de Carla LencastrePara um passeio em terra firme, comece pelo Upper Barraca Gardens, que oferece lindas vistas para o porto, para uma marina com iates de grande porte e dezenas de veleiros e para as cidades igualmente fortificadas de Vittoriosa, Cospicua e Senglea. O mar azul até perder de vista contrasta com as construções de pedra colorida. Perto dali, o Portão da Cidade dá acesso à Rua da República, a principal via comercial de Valletta.  A região onde fica a mais importante entrada de Valletta foi renovada nos últimos anos por um controverso projeto do arquiteto italiano Renzo Piano (do Centre Georges Pompidou, em Paris), que inclui uma quinta versão do Portão da Cidade (a primeira foi no século XVI), um novo prédio para o Parlamento e a restauração da Ópera.

Dois monumentos antigos são incontornáveis e ajudam a contar a complexa história maltesa: o Palácio dos Grãos-mestres, de 1580, e a Co-Catedral de São João, de 1577 (a outra catedral de Malta fica em Mdina, a antiga capital), ambos projetados pelo arquiteto maltês Gerolamo Cassar. Na co-catedral, o chão de mármore é um lindo e inacreditável mosaico formado pelas tumbas de mais de 300 cavaleiros da Ordem de São João — foi o Grão-mestre Jean de la Vallette que planejou a construção da capital e a fortificou, na segunda metade do século XVI. Como se precisasse de mais alguma coisa, a suntuosa igreja tem ainda duas pinturas de Caravaggio, “Decapitação de São João Batista” (sua única obra assinada) e “São Jerônimo”.

A história de Malta se confunde com a do Mediterrâneo. Os cavaleiros da militarizada Ordem de São João eram de famílias nobres e ricas de toda a Europa e se estabeleceram no arquipélago no início do século XVI, depois de derrotarem os otomanos — além deles, em tempos remotos por lá passaram também fenícios, gregos, romanos… Os cavaleiros receberam a lha da Coroa espanhola e só saíram em 1798, expulsos por Napoleão. Logo depois, os franceses foram derrotados, e Malta virou parte do Império Britânico em 1814. Tornou-se um país independente somente em 1964, e começou a prosperar. Hoje, faz parte da União Europeia.

Malta / Foto de Carla LencastreAlém de admirar a arquitetura histórica-monumental, o programa em Valletta é passear a esmo subindo e descendo as ruas de traçados retos e calçadas de pedra; apreciando os prédios residenciais com tradicionais balcões fechados de madeira pintada de diferentes cores; parando em um café na Praça da República; entrando em uma loja. É bom lembrar que a ilha respeita a siesta. Convenhamos que no verão, com temperaturas médias acima dos 30 graus Celsius, o melhor é fazer o mesmo. Aproveite para dar um mergulho nas águas mornas. A temperatura da água continua acima dos 20 graus Celsius até novembro (mas a chance de chover é maior do que no verão, a estação seca).

Malta / Foto de Carla LencastreVoltando ao comércio, o principal suvenir local é a Cruz de Malta. Também faz muito sucesso o olho vigilante, que aparece na guarita de um dos fortes e é reproduzido em vários tamanhos e formatos. Dizem que traz sorte e proteção. As lojas de lembranças turísticas convivem com as de grife, onde é possível encontrar, por exemplo, os últimos lançamentos de perfumes, cremes e maquiagem, como se você estivesse em Paris. Nas esquinas do Centro de Valletta, há cabines vermelhas de telefone, como as de Londres. Já a rodoviária com alegres ônibus vintage, bem coloridos, saídos de algum lugar em meados do século passado, isso só em Malta mesmo.

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Mdina, a cidade silenciosa.

Outra cidade da ilha que vale o passeio de um dia é Mdina, também patrimônio da Humanidade pela Unesco e antiga capital. Toda murada, é conhecida como Cidade Silenciosa. A apenas 12 quilômetros de Valletta, no centro de Malta, mesmo no verão, por algumas ruas calçadas de pedra não passa quase ninguém e é fácil se sentir em outros tempos. Dá para caminhar em alguns trechos da muralha e apreciar a vista do outro lado da ilha. Não deixe de visitar também a Catedral.

Malta / Foto de Carla LencastreMalta é um país religioso, há muitos seminários e conventos em Mdina, e muitas igrejas por todo o arquipélago, que guarda ainda templos da era megalítica, de 3000 a.C., também patrimônios da Humanidade. Os mais interessantes ficam em Tarxien, nos arredores de Valletta, ao sul. Para ver um colorido porto de pescadores, vá até Marsaxlokk, na mesma região. Quer um nome mais familiar? Tente um mergulho na Blue Lagoon, na ilha de Comino. E como dizem por lá para desejar um bom dia, Bongu!

Malta / Foto de Carla LencastreNa hora de escolher onde se hospedar, as opções confortáveis são muitas. O Xara Palace fica em Mdina, a antiga e quieta capital maltesa. Em um palazzo restaurado do século XVII, o hotel faz parte da associação Relais & Châteaux. Quem quiser ainda mais privacidade pode optar pelo Kempinski Hotel San Lawrenz, na ilha de Gozo, a 30 minutos de barco de Malta — o hotel também oferece transfer de helicóptero ou hidroavião. Para um dia a dia mais movimentado, tente o Le Méridien St. Julians Hotel & Spa, na praia. Todos os 276 quartos têm uma decoração moderna e varandas com vista para a Balluta Bay. A baía fica perto de St. Julians, ao norte de Valletta, onde há muitos bares e restaurantes.

O Turismo de Malta tem um bom site, que você pode conferir clicando aqui.

(Versão atualizada de texto originalmente publicado na revista “Oh!”, do jornal O Globo.)

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